Na bíblia sagrada em Efésios 6: 1-4 (Honrar pai e mãe):
1 Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo.
2 "Honra teu pai e tua mãe" - este é o primeiro mandamento com promessa
3 "para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra".
4 Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.
Não existe um único adulto que tenha crescido com pai e/ou mãe que não tenham marcas. Estas marcas, positivas ou negativas são carregadas desde crianças até a idade adultas e têm um grande influência na personalidade que construída na criança até a idade adulta.
Costumo dizer muitas vezes que, se fôssemos primeiro pais e depois filhos, seríamos melhores filhos para os nossos pais.
Muitos problemas de falta de estabilidade emocional que adultos têm, vêm da forma como foram educados pelos pais. Mas estes problemas não significa que necessariamente os pais estavam errados ou certos, pois é necessário lembrar que a criança também já vem equipada com os seus traços de personalidade. A vivência e educação só irão moldar estes traços.
Espiritualmente são os filhos que escolhem os pais. Existem muitas vezes contractos espirituais, em que, os filhos vêm na realidade para ensinar os seus pais. Esta tarefa muitas vezes é muito difícil porque na perspectiva terrena o facto de ser pai da criança, independentemente da idade que ela tenha, ouvir certas opiniões de quem consideramos filho/a é preciso ter um humildade muito grande.
Os pais de hoje têm muito mais informação que os da geração anterior. Hoje, estando nós na era do Coração, todo mundo vai recolher algum trauma de infância. Existe sempre alguma coisa que traumatizou.
No plano espiritual é necessário compreendermos que estamos aqui para aprender, e a escolha dos pais normalmente é realizada porque aquela alma precisa do ambiente necessário para aprender ou evoluir. E sim mesmo as más experiências fazem parte desta escolha de alma.
O grande desafio é quebrar amarras mentais dos conceitos de pai, mãe e filhos. Conseguir fazer isso sem desonra-los é uma proeza. Naturalmente nem sempre a relação entre pais e filhos é a melhor porque não é o facto de ser pai ou mãe que torna a pessoa emocionalmente madura para ver ou aprender certas experiências.
Independentemente de onde se teve a partida, a mudança está sempre na mão de quem vive, para poder tomar decisões. Muitos não tomam decisões por medo de desagradar, mas depois passam toda a vida a apontar o dedo aos seus pais.
A geração anterior, a dos anos 70 para baixo foram gerações que, dependendo do contexto do país, tinham que lutar para sobrevivência. Não existia o conforto que existe hoje e a sociedade tinha uma visão totalmente diferente. Eu gozo normalmente dizendo que os pais do antigamente lutaram contra a fome para que os filhos de hoje possam ter o previlégio de ter os problemas emocionais.
Muitas críticas são feitas aos nossos pais, muitos traumas são revelados e projectados aos pais. Eu apelo que se tenha compaixão, pois eles também são humanos e também eles não sabiam.
Os pais de hoje também estão a criar outros traumas, na realidade, o trauma hoje é quase tão subjectivo, que acredito que muitos não são traumas mas sim justificações para não assumir a responsabilidade do seu próprio carácter.
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