quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A dinâmica da separação

Já observaram como é "engraçada" a dinâmica das separações amorosas?

Num dia se promete tudo, se partilha tudo, se criam nomes carinhosos, uns dizem que não conseguem viver sem o outro. Faz-se promessas de amor, ri-se sem motivo, tirasse aquela hora, minuto, segundo para mandar mensagem ou pensar no outro.

Muitos são os casos, em que se partilha o que muitos consideram o "impartilhável". A intimidade é única, a ligação é forte, os defeitos nos agradam, o perfume nos faz flutuar, o olhar nos faz vibrar o corpo todo e o estar nos faz viver.

De um dia para outro tudo muda. Você já não é aquela pessoa a quem tudo isso se projectava. Você já não é prioridade, ele/a não é a prioridade para você.

De um dia para outro os corpos se escondem, nada se promete, mais se afasta, pouco se fala, muito lembra, muito se chora e os sorrisos são como chuva no deserto, e de chuva só lágrimas.

Há perda de direcção, o norte não é norte, o que fazia antes a uma hora específica já não sabe, o que se partilhava já não faz sentido, o chão caiu, o céu caiu, do sonho despertou, o conforto acabou e a insegurança e incerteza se instalou. 

Os conhecidos não se conhecem mais, já não se quer fazer o outro sorrir, as vezes se quer magoar o outro. A revolta é muita, a confusão ainda maior e o sentimento é dúbio.
 
Em muitas situações, há ódio. Incrível não é? Aquela pessoa que um dia se amou, de repente  se odeia. 

Muitas vezes se odeia porque ela já não nos escolheu para nos amar. O tratamento caloroso arrefece, muitas vezes gela, o contacto diminui e as mágoas se vão curando ao longo do tempo.

Aqueles há que caminham para frente sem olhar para trás, outros vivem amargurados pelas queda, outros caminham para frente com saudades eternas do que ficou para trás, alguns continuam a busca de algo igual, uma parte se traumatiza e nunca mais volta a tentar. Qual você acredita que é?

2 comentários:

SkinDeep disse...

É verdade. Isto é a separação corriqueira, inconsciente e vulgar.
Quando concluímos que já não nos satisfazemos, o melhor seria aceitar (porque dói menos, como diz a minha filha), agradecer pelos momentos partilhados e avançar. A vida não pára e, agarrarmo-nos à dor, às mágoas, aos ressentimentos e a todas as coisas negativas que possam ter surgido, é atirarmo-nos propositadamente a um lago de areias movediças.
A separação não tem de ser assim. Estarmos conscientes da nossa extraordinária existência extra-humana, ajuda-nos a avaliar cada experiência mais levemente e, emocionalmente, de forma menos apegada.
Deixar ir com Amor é a melhor maneira de amar o outro.

ohomem eamente disse...

É exactamente a visão que partilho.

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