sexta-feira, 1 de julho de 2011

Segurança e liberdade



Atualmente existe uma grande paranoia em relação a segurança, principalmente propagada pelos meios de informação noticiosos. Esta paranoia, vindo principalmente da esfera política, e leva com que as pessoas tenha um sentimento de medo mesmo sem saber porquê.

O ser Humano considera-se dos mais avançados dos seres vivos, no entanto, não percebe porque motivo um animal supostamente atrasado pode beber, comer e viver independente, enquanto ele próprio não pode. Todo ser humano vive necessariamente dependente de outro ser para sua sobrevivência. Uma cobra consegue ir beber água e comer dependendo somente da sua necessidade, mas um homem tem que pagar para poder beber água e comer, e somos avançados?!



O medo instalado no consciente e subconsciente das pessoas torna-as cegas, ao ponto  de procurarem toda espécie de segurança. O constante medo da perda,  até mesmo do que não é nosso vive incrustado na nossa sobrevivência. Encaramos tudo não com AMOR mas pelo MEDO. Olhamos para  o amor com medo de perder a pessoa amada e aí queremos uma série de sistemas de segurança para proteger. Somos a única espécie que não aceita a morte (física) como fazendo parte da vida. Não quero com isso dizer que nos devemos deixar morrer, o que quero dizer é que temos medo de passar por qualquer tipo de momento doloroso, de tal forma que somos capazes de não deixar alguém morrer porque se essa pessoa morrer nós sofremos, mesmo que seja o desejo desta pessoa partir.



O ser humano não é independente, por exemplo, se eu for andar de moto sem capacete sou multado porque não estou a respeitar a segurança, mas a pergunta é, então a vida não é minha?! E se o meu objetivo é precisamente partir-me todinho? Então talvez eu possa manter o capacete e partir somente o pescoço. O que quero dizer é, valorizamos a vida pela simples existência corporal e não pela experiência desta existência. Por este motivo, fugimos do amor porque existe a possibilidade de um dia acabar, e por consequência disso prevemos que iremos sofrer com o término.

As proteções criadas a nossa volta atualmente são tantas que se perde o sentido do que é viver do que é liberdade. O medo da incerteza  é tal, que só se quer lutar sabendo o resultado, só existe a preocupação de vencer e não de lutar, sem mesmo se perceber bem ao certo o que vencer significa. Tudo em prol de uma segurança fictícia baseada em aspeto externos. Fictícia porque na realidade a pessoa nunca se sente segura se ela mesma não for já segura.



O medo do ser Humano reside principalmente na necessidade de crer em alguma coisa, não importa necessariamente o saber, mas crer em algo externo que lhe possa transmitir a sensação de segurança. A insegurança é tão grande que quando presenciamos fatos fora da nossa compreensão, cuja crenças não conseguem justificar, manifestamos várias formas de reação ao medo. 

Temos um egocentrismo na qual achamos que só pode existir o que achamos que tem que existir para nossa compreensão e aceitação do ego. Esta forma de pensar faz-nos ser o único ser vivo que não se adapta ao seu próprio útero, achando-se soberano em relação a Mãe Terra. Mais cómico é ver pessoas que dizer querer salvar a terra, eu pergunto a terra com biliões de anos, como ser vivo que é, és TU que a vais salvar?! 


TU que sequer tens coragem de olhares ao teu próprio reflexo no espelho, que tens problemas em aceitar a ti mesma, problemas de auto-estima, vais salvar a TERRA quando não consegues SALVAR a ti mesma. Ninguém pode acreditar em DEUS se não acredita em sua OBRA, que és TU

Muitos destes supostos salvadores só o são na realidade para se sentirem confortáveis com eles mesmos, como alguns cristãos que têm a boca cheia para dizer que vão a igreja e são cristão, mas na primeira oportunidade falam e julgam o outro nas costas. E a muitos quando se fala de liberdade a falta de amor é tal que na cabeça dele liberdade significa que qualquer pode matar e roubar.


Enquanto existir a falta de amor próprio e para com o outro, não existirá nem segurança nem liberdade, porque ao contrário do que dizem, estes dois residem bem dentro de nós.

2 comentários:

Eduardo Montanari disse...

O que eu acho é que por mais que nos julguemos um coletivo, vivemos de forma individual e acredito que isso jamais mudará, a tendência de fato é piorar. E piorando isso, o medo, a insegurança e o receio com o próximo apenas se tornarão cada dia mais fortes.

O homem e a mente disse...

Pode melhorar se cada indivíduo se tornar melhor individual, porque ser individual não é necessariamente mau nem bom, mas um melhor indivíduo faz um melhor coletivo.

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