terça-feira, 26 de julho de 2011

Preso/a na dor


Todos nós temos experiências más na vida, aliás a experiência da vida por si só envolve algum grau de experiências boas e más. Ocorre muitas vezes experiências traumáticas que fazem com que a pessoa carregue esta experiência por toda a vida. Muitas vezes a pessoa transporta a dor dessa experiências para o dia-a-dia, para ajudar a manter alerta ou mesmo como forma de identidade. 

A dor passada é tão grande as vezes que a pessoa carrega esta experiência como parte do seu próprio ser, sentido que se soltar esta dor perde a sua própria identidade. Quando nos identificamos com a dor, ficamos presos nela. Significa que todo o nosso ser não poderá existir se não for com a dor passada, e este facto faz com que muitos fiquem presos na dor, no passado, e não consigam abrir as portas para uma nova experiência.

Ocorre nos relacionamentos, depois de algum tempo em estar juntos, no seu término, os intervenientes ficam presos no fim do relacionamento por toda a dor causa pela separação. Se estas pessoas estiveram durante anos ou meses juntos, todo estes momentos bons são postos de lado para se focar no momento que a relação terminou. Essa forma de ver o fim do relacionamento, leva muitas vezes a que a pessoa se feche para encontrar um outro amor, porque tem medo que o próximo relacionamento, embora possa ter anos de coisas boas, tenha aquele dia que tudo acaba.

Pessoas que tiveram uma má infância, quando ainda estão presas nesta dor, tendem a dar uma má infância ao seus filhos, ou mesmo canalizar esta dor para outra pessoas. Quando este problemas de infância são resolvidos, normalmente esta pessoa tem a preocupação de querer oferecer algo melhor do que teve no seu tempo. Comparativamente com a mulher o homem tende em ter mais dificuldades em se libertar da dor e isso é resultado da dificuldade em expressar os seu sentimentos.

É importante a não identificação com a dor mas sim o aprendizado de como ela foi passada ou criada. Quando presos na dor todo nosso livre arbítrio está condicionado, porque pegamos nas experiências dolorosas como defesa e muitas vezes usamos como arma de ataque. O melhor é tentar transformar esta dor em AMOR, aliás qualquer emoção negativa pode ser transformada em amor. 

Transformar a dor em AMOR não significa que irá amar a dor, mas sim que vai mudar a energia associada a essa experiência passada. Afinal é nossa escolha nos lembrarmos dos anos de amor ou dos dias com falta dele, nos focarmos no fim do amor ou em cada momento de amor.

4 comentários:

Lirium disse...

No segundo parafo dizes que, quando a pessoa se identifica com a dor, ela já não existe sem ela. Isso também tem a ver com o facto de que as pessoas tem medo daquilo que não conhecem. Elas conhecem o seu passado e por idententificarse com ele elas conseguem ser alguem. Elas conseguem dar realidade à aquilo que já passaram porque o conhecem.
O futuro, como não se conhece, é algo que da medo. Eu acredito que muitas pessoas ficam presos no passado e na dor, porque não atrevem largar, porque não sabem o que vem depois. No momento que conseguem ver uma outro identidade, que pode sustituir a identidade da dor e do passado, mais pessoas iam conseguir soltar o passado. Mas o futuro é incerto, e não a conhecem. Então soltar a identificacão com o passado e a dor, siginificará ficar num vacio.
E a maioria das pessoas prefirem a pressão e a dor, do que o desconhecido e o vacio. Porque o medo do desconhecido é maior do que a dor de estar preso no passado.
Além disso, quando a pessoa se identifica com a dor, ela pode se desfazer de qualquer responsabilidade. Na dor ela encontra a possibilidade de se victimizar e com isso ela não tem culpa de nada e então não terá a responsabilidade de mudar a vida. Porque imagina que alguem terá de mudar a vida!! Já fica cansado só a pensar nisso! Então mais facil é ficar lá, no passado, na dor o resto da vida. Num sofa a lamentar de tudo.
Eu já não quero ser uma pessoa dessas, mas me está a custar soltar estos velhos padrões. Não obstante, acho que já fiz as pazes com muitas coisas que me passaram no passado. Mas infelizmente, e isso me da muita pena mesma, eu vejo tantas pessoas a minha volta, que me são muito queridas, que continuam estar presas e que não mostram nem a minima intenção de sair de lá.

Bom post, como sempre :)

O homem e a mente disse...

Muito obrigado pelo comentário, eu preciso destes também para poder também aprender outros pontos de vista. Concordo plenamente com o que diz.

Não é um processo fácil, até porque essa convivência cria um certo hábito em se manter aquela dor, mas tudo começa com a mudança de pensamento, é necessário mudar a forma como se olha para esta dor.

Obrigado

Vasco disse...

Muito bom post, parabéns! cruzei-me com este blog a uns dias e fiquei maravilhado, a vida e uma constante aprendizagem onde todos aprendemos uns com os outros, vou continuar a seguir este blog sem duvida nenhuma.

Em relação ao post só quero acrescentar uma pequena coisa...por vezes não é a dor causada no passado ou presente que nos impede de amar ou nos afasta desse sentimento, por vezes essa dor faz-nos e levantar algumas "defesas" de forma inconsciente não por medo mas por necessidade do nosso próprio ser em se proteger, defesas que por sua vez se tornam barreiras difíceis de superar nalgumas circunstancias, penso eu.

Abraço e muitos parabéns pelo blog :)

O homem e a mente disse...

Obrigado Vasco, sim concordo contigo, mas faz parte de medo, a necessidade de levantar defesas vem do sentimento de insegurança e esta faz parte do medo.

É como o nosso dia-a-dia, toda a nossa sociedade infelizmente é baseada no medo. Corremos atrás das coisas porque sentimos que precisamos sobreviver.

Obrigado e continue a comentar mesmo que discorde porque quero sempre ver outros pontos de vista.

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