quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O estigma da dor


No nosso mundo a dor é muito sobrevalorizada, a dor é encarada sempre como fatalismo. Muitas vezes a para as pessoas que me consultam, lhe digo que devem passar algum tempo com o seu Eu, sentir e escrever o que sentem, para ajudar a esclarecer o que na realidade se sente. Em quase todas as pessoas exprimem sentimentos de medo para com este processo. Justificam dizendo que ir à profundidade dos sentimentos encontrarão dor e sofrimento.  

Neste momento eu questiono, será que enfrentar esta dor ou sofrimento para ter uma vida melhor, precisamente sem esta dor ou sofrimento, não valerá à pena passar por esta dor?


As pessoas normalmente fixam na dor e não no que aprenderam com ela. O que muitas vezes se esquecem é o facto de que esta dor deu a conhecer o outro Eu, bom ou mau, que pode ajudar a conhecer os seus pontos fortes e fracos. É necessário lembrar que muita da dor passada é para nos proporcionar uma nova evolução e muitas vezes esta dor e sofrimento só a vivemos porque bem lá no fundo a escolhemos, só que achamos que não.


Muita gente vive em dor e sofrimento porque tem medo de escolher, porque tem medo de largar a armadilha do macaco  ou até porque se culpabilizam achando mesmo que merecem tal sofrimento.


A dor está fortemente enraizada em muitas culturas até mesmo religião, e em geral nos é dito que é necessário passar por ela, mas eu diria melhor, é necessário aprender com ela. Muita das vezes quando vivemos em dor e sofrimento, significa que algo não vai bem na nossa vida, boa parte das vezes é o próprio universo que nos está a sinalizar que existe algo que não está certo, ou que não estamos a viver em conformidade com o que realmente queremos.


O sentimento de culpa ou de pena é um factor que muitas vezes impede as pessoas de fazer a sua escolha, de exercer o seu livre arbítrio. Mas este sentimento muitas vezes pode tornar um ponto de frustração, causando muitas vezes um mau estar no ambiente a sua volta.


Infelizmente a do é também usada como um instrumento para despertar consciência, digo infelizmente não pela dor, mas sim porque na sociedade actual, que se valoriza a coisas mais superficiais, as pessoas só têm tempo para pensar mais profundo em momento de dor, tristeza e sofrimento. 

O choro, ao contrário do que muita gente pensa, não é sinal de fraqueza, mas se alívio da alma, e é algo necessário. Actualmente até homens se vê a chorar mais vezes, o que é bom, na realidade

Se vive com dor e sofrimento, é porque está a fazer algo errado na sua vida, aprenda com esta dor, deixe o medo e transforme isso em amor. Amor este que levará a descobrir o seu Eu, e quando se amar realmente, verá que não merece nenhum sofrimento.

6 comentários:

Montanari disse...

E mais uma vez vem você com um texto que me cai como uma luva. Me remete ao conselho que você me deu meses atrás, sobre me focar no meu eu interior. Quando estou sozinho, na verdade não estou só, mas sim comigo mesmo.
O texto descreveu meu estado atual com maestria. Abracei a minha dor, mas não tenho aprendido com ela, apenas a sentido sem parar.
Apesar de não aprender com a dor, sou uma pessoa que não tem medo de encará-la, mesmo achando monstros no escuro enquanto faço isso. Fico pasmo em ver como algumas pessoas fogem de encarar seus temores. É doloroso, mas ao mesmo tempo pelo menos para mim, não é difícil.

O homem e a mente disse...

Eu vou te explicar um pouco da sua dor. A sua dor faz parte do seu processo criativo, ou seja da sua arte, bem usada é muito útil para poder criar coisas novas, e também porque faz com que a criação por si só transmita emoção, este é um lado da sua dor.

O outro lado é a frustração do passado, que, naturalmente, afecta o seu presente, a grande necessidade de carinho para se sentir você mesmo. Mas acarinhe você mesmo porque você merece, ama a si mesmo também, e não se prenda a dor, mas sim aprenda com ela.

O que quero dizer com isso é, parte da sua dor é necessária, está relacionada não com algum problema em particular, mas com a sensibilidade emocional do artista. Se analisar, todos artistas são ou melancólicos ou algo assim.

O importante é você se conhecer bem e não deixar que estas coisas o afectem em demasia, ou seja, tentar manter um equilíbrio, porque quando você tem consciência de si mesmo, sabe diferencia, por exemplo, dos seus problemas e dos problemas em relação aos outros, o que melhora também o relacionamento com os outros.

Por exemplo, por ter consciência que existem momento que estou mais fechado, normalmente eu aviso as pessoas ao meu lado que quando estou muito sossegado ou calado não significa que estou triste mas sim estou comigo mesmo. Eu normalmente preciso muito disso, como se tivesse a sincronizar.

Por isso explore mais a sua consciência e emoção, e não sofra.

Rafaela Andrade disse...

É aquela história de estar tão acostumado a ser triste que quando é feliz nem se dá conta.

Acho também que é uma louca mania de colocar defeito em tudo só pra sofrer... parece um pouco loucura, mas acho que acontece, nada nunca é bom.

Porém, muitas vezes é apenas um nuvem que logo passa...

Gosto daqui, mas não consigo passar muito.

beijo e bom feriado.

Meire Jorge disse...

Gosto muito dos teus textos e aprendo muito com eles....obrigada!!
Lendo este em especial, descobri que eu trocaria toda a felicidade do mundo pelo prazer de consquistá-la todos os dias....Boa semana para você! Abços

Anabela disse...

há um velho ditado não sei de que origem que diz "O que não se aprende pelo amor aprende-se pela dor"

Que a aprendizagem se faça sempre pelo amor.

Bom Carnaval (carne vale?!:D - o poço de toda a dor que o espírito é amor)

beijo

O homem e a mente disse...

Deixa-me dizer que gostei muito da frases:

"Trocaria toda a felicidade do mundo pelo prazer de conquista-la todos os dias."

"Que a aprendizagem se faça sempre pelo amor."

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