sábado, 21 de novembro de 2009

Julgar



Dado o comentário posto pela Anabela no post "Ter sabedoria", achei melhor responder de forma mais explicativa alguns pontos

"É da essência do ser humano julgar que é o mesmo que dizer escolher. usar o livre arbítrio não é muito mais do que julgar. é?

todos os nossos actos de consciência estão sujeitos a julgamento. Podes calá-los mas não impedes o seu julgamento. Não sendo feito por terceiros, porque os calaste, será feito pela consciência. Não há como escapar, é assim que aprendemos"

De facto está certo quando diz que é essência do ser humano julgar, mas isso por causa das influências sociais. As influências sociais definem determinados padrões que todos devemos de certa forma corresponder a eles. Ao contrário do que muitos possam pensar, julgar não é escolher e muito menos o uso de livre arbítrio.

Julgar é o acto de avaliar e condenar alguém pelo uso do seu livre arbítrio.

Realmente todos os nossos actos de consciência estão sujeitos a julgamento, mas é necessário perceber também que o resultado deste julgamento depende do que é a verdade para cada um. Consequentemente, o que é errado para alguns é certo para outros.

É necessário diferenciar entre avaliar e julgar. Avaliar como resultado obtemos sempre bom ou mal, mas não existe nenhuma condenação, ou sentença em relação ao resultado, ao passo que o julgamento tem sempre uma condenação.

Quando se refere ao não julgamento, é o respeito pelo livre arbítrio do outro ao nível de consciência e não ao nível de personalidade. Refere a absorver a pessoa, pela energia que emana e não pelo que os olhos vêm, a olhar para a pessoa para além daquilo que ela mostra.

Escolhas e preferências é tudo livre arbítrio os quais devemos respeitar. Há naturalmente certa dificuldade em interiorizar o não julgamento, principalmente porque a maior parte das pessoas, olha para o julgamento como resultado de um crime e que se vai ao tribunal e o réu é preso ou absolvido. Mas o que se refere é para além da lei dos homens, porque o réu condenado por um tribunal, não é um réu condenado pela consciência, e é a sua própria consciência que o condenará e o julgará.

O sistema judicial só serve muitas vezes para aprisionar um corpo, ou seja, a matéria, mas não a consciência. No entanto, esta prisão física muitas vezes dá o tempo necessário para que o réu se encontre com a sua consciência, daí muitos prisioneiros se tornarem religiosos.

A nossa dificuldade em aceitar o simplesmente SER, nos assusta, porque não queremos ser julgados à margem do que são os ditos padrões sociais, daí a grande necessidade do TER.

9 comentários:

Montanari disse...

Eu julgo demais as pessoas porque acho que elas me julgam também, então pago com a mesma moeda. As vezes na minha hipocrisia, digo que estou apenas externando a minha opinião.

O homem e a mente disse...

Isso porque talvez não seja uma pessoa segura de si o suficiente para se sentir julgado. Quando tem confiança em si, mesmo que estiverem julgando não sentirá necessidade de se defender, até porque sequer se sentirá atacado.

Muitas vezes os problemas internos que as outras pessoas têm faz com que se sintam atacadas quando não estão a ser. Isso só se resolver com um trabalho interno.

Anabela disse...

Querido amigo
podes escolher as palavras que quiseres, bem ou mal (o que chamaste avaliar) é julgar quando falamos de pessoas. Vou provar-te com frases que tirei da net:
"que coisinha! e que coisa!"
"a tua arrogância é a mais humilde que conheço"
"não és do mundo simplesmente!
Tudo avaliação e tudo julgamento.
:)
o julgamento (resumo de todos os nomes que damos aos processos de decisão e de formação de opinião digo eu) é de factor génese da aprendizagem. Se julgas bom repetes, se julgas mal rejeitas. É no entanto o maior factor de entropia nas relações, nisso dou-te razão.
Julgar implica perdoar. quando um juiz condena um réu ele promete em simultâneo o perdão ; - 7 anos de prisão. será gasta a energia de 7 anos para a obtenção do perdão, mas ele é obvio no longo prazo e a humilhação imediata
Assim é também na esfera privada. Lugar único da busca da felicidade. Quando julgas os que contigo interagem terás de gastar uma quantidade enorme de energia que não produzirá qualquer trabalho, o perdoador estará exausto por ter de mudar tudo de lugar e perdoar o perdoado no início, no meio e no fim; -humilhado.
Julgar é meter entropia na vivência das emoções
nisto eu dou-te razão.O melhor é não julgar e aceitar o que as vida nos dá de presente. Afinal pode não ser o presente perfeito, pode até ter defeito mas ainda assim é o nosso presente. Melhor desfrutar do presente enquanto temos oportunidade não vá a vida trocar-nos as voltas, mas para o saber presente nosso a desfrutar já tivemos que ter julgado :) o sentimento dentro de nós ao abrir esse presente.

(não sei se fui consistente o suficiente mas para te ser franca hoje a consistência não tem para mim qq importância, amanhã talvez tenha...)

Resto de bom domingo

ROSA AZUL disse...

Eu ja penso que como nos’ fomos feitos a imagem de Deus , temos uma energia divina que nos faz julgar o proximo.
Sendo que Deus ‘e o unico juiz nesse universo.
Nao adianta esperniarmos e dizermos que nao, porque no final toda a justica devina se faz.
Julgamos porque nao aceitamos as diferencas.O livre-arbitrio ‘e uma escolha.Outro presente divino que nos foi dado de graca.
Livre arbritio em nada tem haver com JULGAMENTOS mas sim em ESCOLHAS na vida.
Julgar sem condenar ‘e bom.’E como reflectir e perguntar “Sera’ nao Sera’? “.
Nao podemos passer pela vida sem o “Sera?”
Agora julgar e condenar ja pretence aos juizes, e quem nao for juiz , aos maldosos( my opinion)
No dicionario portugues ja diz ...
Julgar:
. Proceder ao exame da causa de.
2. Decidir (como juiz, árbitro, etc.).
3. Sentenciar.
4. Formar juízo acerca de.
5. Imaginar.
6. Crer, supor.
7. Ter na conta de.
v. intr.
8. Pronunciar sentença.
9. Formar conceito.

Kisses Kilson

ROSA AZUL disse...

Rectifico:

Arbitrio
Pertence
Divino

Livre-Arbitrio vem com a rectidao de cada pessoa na escolha do sim e do nao.

O homem e a mente disse...

Sim de facto as pessoas actualmente julgam muito, mas isso porque a sua consciência ainda não está desperta. A diferença entre julgar e avaliar é que julgar tem um sentença, uma punição, enquanto a avaliação somente se decide se gosta ou não.

Entretanto deixa-me dizer que o livre arbítrio não é um julgamento, mas é a nossa liberdade de escolha.

".O melhor é não julgar e aceitar o que as vida nos dá de presente." é exactamente isso, mas para tal, o ser humano terá que adquirir maior consciência assim como aprender a respeitar a si mesmo.

"Não adianta espernearmos e dizermos que não, porque no final toda a justiça divina se faz.
Julgamos porque não aceitamos as diferenças.O livre-arbítrio é uma escolha.Outro presente divino que nos foi dado de graça." - É exactamente isso.

Fatima disse...

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. Díficil é encontrar e refletir sobre seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. E é assim que perdemos pessoas especiais.CDA
Muito bom seu blog.
Bjs.

Maria Helena disse...

Jugar seria bater o martelo acusar pessoas sem conhecê- la .
Classificar ou padronizar pessoas é inconcebível, pessoas não são produtos perecíveis que descartamos quando não tem utilidade.
Ninguém tem o direito de julgar, até porque ninguém é perfeito.

O homem e a mente disse...

A classificação faz parte do nosso mecanismo de defesa.

Poderá interessar também..

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...