sábado, 17 de outubro de 2009

Geneticamente casados

Indubitavelmente quando observamos à volta, na natureza pura, vemos que todos nós fomos criados para que num determinado ponto da nossa vida precisamos prolongar os nossos genes. De facto é uma forma fria de referir ao relacionamentos, mas no sentido mais simples é exactamente isso que fazemos, reproduzimos. Todo mundo animal está praticamente dependente deste factor genético, e aí, como até agora é, a responsabilidade das crias caí sempre sobre a mãe.

Indo para o mais complexo, o ser humano foi criado ou desenhado para ser casado, não no sentido legal do casamento, mas no sentido emocional ou sentimental.


Muito embora os padrões de vida, vemos homens e mulheres com o sentido de uma vida independente, e quando muitas destas pessoas dizem que não querem ter relacionamento, o factor condicionante não é o desejar estar sozinho/a, mas o medo do que estar com alguém possa representar. Nos nosso genes está intrínseco a procura de um companheiro/a. Existe a necessidade de ter alguém com o qual partilhamos aspectos da nossa vida que não partilhamos com mais ninguém, a intimidade, a emoção, até mesmo a estabilidade emocional.

Na conjuntura social actual, a solidão e o amor são alguns dos maiores medos das pessoas, não porque não existam parceiros, mas pela quantidades de tentativas que muitas vezes é necessário fazer para o encontrar,
principalmente a mulher, que tem tendência a sentir-se usada
muitas vezes. Como se costuma dizer;

"O grande problema de encontrar o príncipe encantado é a quantidade de sapos que se tem que beijar".

Concluindo, não fomos feitos para estar sozinhos, muito embora muitos tentem disfarçar que nada quem com alguém, este disfarce na realidade é o medo de entrar no jogo de sentimentos e emoções onde podemos perder nós mesmo.

Todos nós chegamos ao ponto em que estar com todo mundo já não nos satisfaz, em que precisamos alguém do nosso lado, alguém que transmita segurança, que nos dê atenção, carinho e principalmente companheirismo.

10 comentários:

casos e acasos da vida disse...

Olá
Li o texto e de facto temos em nós o instinto do acasalamento, está predestinado, está é uma lei da vida!...Tenho dois filhos e espero ter netos um dia.
Refere no entanto outros factores, companheirismo, ter alguém por perto, partilhar...e eu lembrei-me do casamento entre homossexuais, que brevemente será discutido na AR, como vê essa situação?
Um abraço

O homem e a mente disse...

A própria natureza nos responde a isso, se observamos a escolha de companheirismo não se escolhe espécie em muitos animais. Naturalmente, vai contra o facto da reprodução, mas quem somos nós para julgar, principalmente quando são escolhas que afectam a felicidade de outros. No entanto este facto não responde as expectativas criadas por nós sobre a pessoa que é próxima, aliás, como escreveu quer ter netos, e uma união homossexual só por adopção o daria.

A discussão na AR é simplesmente uma forma de dar direitos legais ao cônjuge, assim como o casamento tradicional (se podemos assim dizer). No meu ponto de vista o casamento já existe a partir do momento que sentimentalmente estas pessoas decidem unir.

Ao meu ver este não é um aspecto de concordância ou não mas sim de escolha individual de cada um, ou seja, não olho como sendo certo ou errado, olho como uma escolha, e como escolha que é, de alguém igual a mim, eu respeito.

Maria Rosa disse...

:) eu tinha dito tudinho, juro de palavra de honra - o fecho eclair:)

mas a tua resposta a casos e acasos da vida fez-me pensar sobre o assunto. Aqui vai como está o meu pensamento sobre a proposta do BE na AR.

Proposta do bloco de alterar o conceito de casamento:-contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir uma família em plena comunhão de vida.

A questão coloca-se em; - o que é uma família

De todas as suas funções sociais a família europeia perdeu já ou está em vias de perder:
- Função politica de quando se estruturava por parentesco de consanguinidade por varonia assente na ideia de subordinação ao paterfamilias de todos os seus membros
- Função económica de unidade de produção (com a terciarização da produção europeia)
- Função educativa e de segurança que tendem actualmente a ser assumidos pela sociedade (escolas, centros educativos, segurança social, segurança pública) com a unidade familiar a desvincular-se cada vez mais desta obrigação. Atribui à escola a educação para além da instrução. A segurança social possibilitou aos pais a independência dos filhos na velhice.

Funções sociais que a família europeia mantém:
- Assegurar a conservação e transmissão do património à morte do seu titular no núcleo familiar
- regulação do consumo (o orçamento familiar é a unidade de consumo)
- a mútua gratificação afectiva decorrente da relação entre os cônjuges e a socialização dos filhos, ou seja, a transmissão da cultura.

Neste contexto faz todo o sentido legalizar o casamento homossexual uma vez que nenhuma das funções (com excepção da transmissão da cultura no sentido lato) que desempenha está inibida num núcleo familiar homossexual se a adopção for permitida a casais homossexuais.

As perguntas que se colocam, pelo menos a mim, são: - Queremos assumir a perda das funções da família já efectivadas e em vias de efectivação? Queremos resgatá-las? Quais? Queremos perder por via da família a socialização dos filhos com o universo feminino e masculino?

Estamos a correr o risco de reduzir as funções da família ao garante da transmissão do património, à regulação de consumo e à gratificação afectiva da relação entre os cônjuges.

Estamos a correr este risco não por causa da legalização do casamento homossexual mas devido à tentação, crescente em homens e mulheres, de se relacionarem intimamente com os seus pares e não com os seus pólos; - porquê?

À resposta ao porquê de a tentação homossexual estar socialmente crescente talvez nos traga também respostas ao porquê do actual estado do quadro de valores cultural europeu, bem como a algumas das suas questões de fundo sociais.

Enquanto não temos coragem para enfrentar esta questão a desregulamentação do conceito do matrimónio não me parece mal mas vai ser necessário, para que seja efectivo o direito, reconstruirmos o conceito cultural de família e assumir que este conceito vai continuar a perder funções.


(ficou longo mas desta vez não consegui ser sintética)

Tudo de bom

O homem e a mente disse...

Mas este risco já a muito corremos. Se analisarmos, actualmente a estrutura familiar modificou drasticamente. Actualmente a quantidade de famílias que o pai é quase inexistente, por causa da gravidez na adolescência, uma criança a criar outra criança.

Diz bem quando refere ao facto da família se destituir do papel de educar, principalmente em passar determinados princípios morais e cívicos. O problema está que muitos dos pais por si só não têm esta educação para si mesmos, tornado difícil passar algo que não sabem.

Naturalmente que num casal homossexual poderá causar alguma confusão para a criança numa fase inicial, mas vejamos, não terá feito o mesmo o facto da criança ver os outros com pai e ele não?!

c.miChel disse...

seu blog é muito bom cara! parabens
permita-me te seguir.

O homem e a mente disse...

Obrigado, visite sempre

Marochhi disse...

Perdoe-me, mas não concordo. Não há fórmula para a felicidade. Não podemos fazer do outro a nossa capacidade de ser feliz. Somos únicos, se não aprendermos a viver com nós mesmos, não há como amalgamarmos nosso estar ao estar de outro, porque não somos a cópia fiel de vida, por respirarmos, mas somos sim aprendizados de muitos reflexos.
Acho que quando alguém decide que estar consigo próprio é seu melhor caminho, isso não pode ser considerado fuga ou seja que nome dar, mas sim a certeza de que existe nele uma força que está aplacada e direcionada para seu estar no mundo, e que ele enetende como fazer parte de sua caminhada.
Um grande abraço.

O homem e a mente disse...

Eu concordo com o que diz, essa individualidade, mas o que estou a realçar no post é o facto de termos a necessidade de uma companhia. É preciso notar que o casamento por si só não faz perder a individualidade. Mas está nos nosso genes encontrar alguém, descartando os motivos sociais da convivência a a dois, faz parte da nossa genética querer partilhar alguma coisa com outra pessoa.

Marochhi disse...

Tens razão. Vivemos nesta densidade terrena, e fomos criados para tal fim. Mas nunca se esqueça, isto é uma parte da descoberta do que somos capazes. O Homem é muito mais que simples Macho/Fêmea. Somos eternos...
Porque, na verdade, ser luz é a meta irreversível de nosso existir.

TXAI

O homem e a mente disse...

Sim quando chegarmos ao nível Luz deixa a existência de macho e fêmea, mas será que deixaremos de partilhar a nossa Luz com outra Luz, hehehe não sei, complexo não é hehehe, é isso que faz a vida boa :D

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