sábado, 12 de setembro de 2009

Desejo


Deseja primeiro a ti mesmo/a,
que os outros também te desejarão.

4 comentários:

Maria Rosa disse...

:) Apologia do narcisismo? :)

Compreendo o que queres dizer mas é um pouco mais complexo do que isso.

As questões do desejo e do corpo passam por conceitos de estética, cuja mobilização, para que te desejes, te podem impedir de te desejares.

Dou-te o meu exemplo: Eu gosto de mim, epá, acho-me cool! mas vivo num corpo gordo. A estética actual rejeita um corpo gordo. Posso emagrecer, claro! um tanto de ginásio e um tanto de gordura a menos na comida e "prontes" desejável!

Seria eu capaz de ter a plácida bonomia, de que tanto gosto em mim, num corpo magro?

Quando a falta da gordurinha apetitosa me cortasse o sorriso seria eu capaz de me desejar mesmo com o meu corpo magro?

Isto do espelho e do desejo é um cadito complexo ;) corpo e espírito completam-se e olha que nesta matéria o "óptimo é mesmo inimigo do bom".

Epá não me acho assim tão desejável mas isso não me impede de continuar a gostar de mim claro... Se fosse a Naomi... "prontes" né?!

O homem e a mente disse...

Adorei o comentário. E tem razão é mais complexo do que isso.

Durante algum tempo achava-me uma pessoa feia, muito pelo que os outros diziam também e acredita, os próprios pais. A Naomi, detesta os pés dela, e digo, são horríveis. Quando falo de desejar a ti mesmo, embora passe a ideia, não é para ser narcisista, mas sim para aceitar e gostar de si pelo que é e não pelo que quer parecer ser. Ser amigo de si mesma, ter a capacidade de se estar consigo mesma.

Quando falo em desejar refiro-me também na intimidade, sexualidade, porque ajudará a libertar-se de estigmas e aproveitar o momento sem deixar afectar pelos dogmas existentes na sociedade.

O principal é não se julgar pelo que não é, principalmente fisicamente.

"Seria eu capaz de ter a plácida bonomia, de que tanto gosto em mim, num corpo magro?" - muito boa pergunta. E agora questiono se na sociedade o belo fosse ser gorda, e fosse magra, quereria então ser gorda.

Tenho certeza que o que gosta de si é principalmente porque consegue divertir com a sua própria mente, porque dentro de si existe N personagens que são capazes de fazer permanecer no próprio mundo.

Se o facto de ser gorda não a impede de gostar de si, o que a impede de se desejar? Não precisa se achar desejável se não se acha indesejável, porque aí sim já estaria muito mal.

Mas também digo, se não gosta a coisas que pode mudar. E já agora tinha uma tia que embora gorda era muito sexy.

Gostei mesmo do comentário porque é muito do que quero no meu blog, despertar as pessoas para elas mesmo.

Eu antigamente tinha vergonha dos meus lábios, hoje, confesso, os amo, porque com eles consigo dar expressividade e muitas delas faz-me rir até lagrimar, riu-me das minhas skinny and sexy leg, são fininhas, já vi pior.

Sê você mesma, de corpo e alma e goste do que é, que não gosta e pode mudar mude a seu belo prazer, mas não deixe de ser o que é :D porque são estas as características que a definem como Maria Rosa.

Maria Rosa disse...

:D
O corpo é a forma como nos apresentamos. Não tem nenhuma relevância na intimidade e na sexualidade mas até chegares lá :) Ufa! que trabalheira :D

Costumo dizer que a intimidade é o lugar do defeito. Porque o defeito é irrelevante na intimidade é que ela é o lugar doce, bom, tranquilo que é. Esse lugar sem máscara onde a arbitrariedade das emoções convergem em complementaridade, e o desejo se expande sem limites simultaneamente resposta e pergunta, pedido e dádiva, cárcere e voo. A intimidade é o lugar da poesia.
Meu querido, até a intimidade fazer poema... O corpo é como nos apresentamos :)

Espero ter conseguido transmitir a ideia, não foi fácil:)

beijo

Anónimo disse...

Depois de todos os comentários que li, deixem-se dizer que o passo para a intimidade é o mais difícil. Uma vez chegados lá, o resto não importa. E quando chegamos a esse nível,a libertação é total. O mais complexo é conseguir desbloquer corpo e mente e atrair aquilo que queremos para nós. Nunca esqueço os teus conselhos, querido amigo, mas na maior parte das vezes não me vejo como tu dizes. Talvez um dia me olhe ao espelho e me aprecie como sou e isso faça com que os outros me olhem de forma diferente, me olhem como eu quero, como eu desejo. Sei que só depende de mim, mas quando a auto-estima não existe o resto é impossível.
Há-de chegar o dia em que serei como tu, uma luz que ilumina tudo o que o rodeia.
Ou que estenda a sua luz para aqueles que quero que olhem para mim.

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