sexta-feira, 20 de março de 2009

Transição de estado


A pouco tempo descobri que algo que costumo fazer, antes de chegar a casa, fora citado num livro. Confesso fiquei espantado porque para mim sempre foi algo banal o que me causou impressão que se tivesse escrito num livro e dado tanta importância. Tem haver com a transição de estado emocional da rua para casa por exemplo.

Desde dos 8 anos que estudo comportamentos, um dos mais recorrentes comportamentos é a chegada a casa depois do trabalho, em que cada pessoa trás o seu stress. É o cansaço, o patrão é chato, os transportes, a barulheira da rua. O mais comum é chegar a casa irritado, zangado, e descarregar com as pessoas que supostamente amos mais (mãe, pai, filhos, mulher, seja quem for).

Pensemos o seguinte....., só porque o patrão nos paga não podemos manda-lo à M*, acumulamos irritação e descarregamos nos nossos filhos, ou seja lá quem for que esteja intimamente ligado a nós.
Quando chego a casa, e quando nela está alguém a passar um tempo comigo, visto que vivo sozinho :), antes de entrar tiro um tempo sozinho na rua, sentado, ou entro para o meu quarto durante algum tempo mantenho-me lá, e vou fazendo as minhas coisas, até que toda tensão repouse, e só a partir daí é que parto a perguntar a todos como foi o seu dia. Este momento de pausa é o que chamo "Transição de estado".

Quando por exemplo estou em casa dos meus pais, já que não dá para entrar e não falar com ninguém, fico no carro, deito o banco de trás e ponho numa posição de relaxamento, mãos na cabeça e música calma.

A uns meses atrás tive uma experiência interessante, quando fui acompanhar uma prima a casa de pessoas desconhecidas. Era uma família africana, modesta, em que o marido trabalhava na obra, a mulher tinha acabado de ter bebé, com um filho mais velho. Chegou aquele senhor, que vindo do trabalho, esboçava um grande sorriso, e começou a sua entrada em casa, dizendo:

- Boa noite, para todos as mulheres, todas as mulheres estão lindas, a mulher da minha vida está linda! - beijando a esposa.

- E como está o bebé?- perguntou ele. pondo-o no colo e brincando com ele.

No mesmo instante eu comentei com a minha prima que aquilo era algo extremamente raro de se observar.

No caso da mulher é mais complicado, porque em geral acarreta as responsabilidades da casa, mas as vezes é uma questão de organização, faça um diagrama temporal e de prioridades, a mulher é muito boa nisso e vê o que deve tratar primeiro. Mas se tiver as coisas organizadas pode sempre tirar antes de fazer tudo um tempo para si, depois de chegar a casa, sente-se um pouco, habitue os filhos e o marido a fazerem o mesmo quando chegam a casa. (assim também não chateiam durante este período )
, verá que a disposição será melhor.

Também importante dizer, sempre que estiver de mau humor, diga ao seu parceiro/a, ele ou ela não têm que ser um saco de pancadas, e se somente fizer silêncio ficará preocupado/a.

Fale o menos possível,e o parceiro, não faça muitas perguntas, deixe que se acalme, afinal todos nós temos que ter o nosso espaço mental, no final provavelmente irá ter consigo e contar o que se passa :).


6 comentários:

Val Du disse...

Oiii.
Gostei muito daqui,hehehehehe!
Sou uma blogueira; confesso que leio de tudo, mas quando gosto de algo digo e repito.

Sabe de uma coisa: também estudo comportamentos, e isso vem lá da infância.

É, o comportamento é o que a gente faz, então precisamos estar mais atentos ao que fazemos. Óbvio! Mas, são raras as pessoas que percebem o óbvio.

Abraços

O homem e a mente disse...

Hehehe já não me sinto ET hahaha, devia ter aparecido nos meu 8 anos, assim não passava por anormal.

Sim realmente é verdade, eu próprio pensava que era algo óbvio, mas no entanto cheguei a conclusão que existe várias coisa que são tão óbvias que boa parte das pessoas não sabem, porque vivem demasiado depressa, porque deixam a vida passar sem passar por ela.

Volte e comente sempre ;)

PGA disse...

Mais uma pérola de conhecimento.

Subscrevo por baixo.

Quando se está aborrecido é melhor despendermos um pouco de tempo, em tarefas que distraiam a mente e só depois interagir com as outras pessoas.

Como explicaste, melhora bastante o 'ambiente'.

Um abraço

O homem e a mente disse...

Sim é importante não passarmos a má disposição ao outro, quanto muito, partilharmos o que sentimos mas não passarmos o que sentimos.

O senhor anda desaparecido hein, o que se passa?

Anónimo disse...

gostei do grafico.o grande declive na zona intermedia revela ansiedade de chegar... de chegar algures, nao necessariamente a casa...chegar onde há paz e sossego.Em mim é assim que leio o grafico.
Luisíndia

O homem e a mente disse...

É mesmo assim que o gráfico está feito :)

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